sábado, 15 de dezembro de 2012

Poemas para refletirmos!




Chance

Dê-me uma chance! Qualquer chance.
Chance de trabalhar.
Chance de lutar.
Chance de correr.
Chance de não perder!
Chance de esperar.
Chance de encontrar.
Chance de conversar.
Chance de amar!
Chance de ser aquilo que quero ser!
Chance de desfrutar.
Chance de descansar.
Dê-me uma chance, somente uma chance!
Chance de viver cada instante!
Como se nunca fosse o bastante!

Chance por um vintém!
Chance de um dia ser alguém!


Livro "INSURGÊNCIA POÉTICA"

Marcos Cesar Dutra.





"Natal Tupiniquim"

Não temos neve nem lareira.
Não usamos suéteres a beira da fogueira.
Não temos chaminé para o bom velhinho descer!
Mas o sentido deste dia, isto não vou esquecer!

 dois mil anos quando uma estrela no céu brilhou.
Descobriu-se que, para o mundo a esperança chegou!
De uma família humilde sem ter nenhum mimo.
Nascia naquele dia o nosso Deus Menino!

Contemplado por Reis e plebeus!
Até os animais adoraram o nosso Deus!
Junto com José e Maria.
Aquela Criança ninguém esqueceria!

Até hoje o mundo de falar não se cansa.

Junto com o Deus Menino nasceu a esperança!
Neste dia quero pensar que  não existe o mal.
Pois chegou o dia do amor, chegou o nosso Natal!

Quero um Natal sem lareira! Sem chaminé e fogueira!
Nem mesmo um suéter vou usar.
Pois neste Natal todos que tenho ao meu lado.
Com toda força de meu ser grandiosamente vou amar

Livro "INSURGÊNCIA POÉTICA"

Marcos Cesar Dutra.




"Inocência"

No mundo dizem que sou a esperança contida.
Não vivo, mas sobrevivo com minha esperança perdida.
Dizem até que sou um sonho realizado!
Cumprindo a pena de um injusto pecado.

Nas noites frias meu corpo dói e muito padece!
Nas noites quentes perambulo.
Em busca de um sonho que não acontece.
Sinto fome, sinto sede, sinto dor! Como pode existir tanta falta de amor!

Não quero ouro nem prata.
Quero apenas o amor de alguém que me abraça!
Não quero em mais nada pensar.
Apenas o colo de uma Mãe para deitar e sonhar!

Não plantei o mal nem o tormento.
Por que meu Deus tanto sofrimento!
Não sou bandido ou ladrão!
Sou apenas uma criança jogada no chão!

 Livro "INSURGÊNCIA POÉTICA"
Marcos Cesar Dutra.




Lamento

O homem lamenta tudo que não realizou.
Lamenta o que deu e o que tomou.
Lamenta chorar.
Lamenta a sorte e o azar.

Lamenta sua existência.
Lamenta sua falta de persistência.
Lamenta os pecados que cometeu.
Lamenta o amor que prometeu.

Lamenta a falta cometida.
Lamenta a chegada e a partida.
Lamenta os filhos que não gerou.
Lamenta tudo o que passou.

Lamenta o dia.

Lamenta a noite.
O que na vida é o lamento?

Senão apenas um sentimento!

 Livro "INSURGÊNCIA POÉTICA"

Marcos Cesar Dutra.





"Pela pele"

Por ser o que sou pela pele,
apelo pelo que posso ser.
Sendo o que não sou,
terei aquilo que quero ter.

Sendo pele, pela pele açoitada!
A dor domina-me a alma,
Pela pele rasgada!

Pele derrubando pele.
Pele clamando pela pele!
Pele não querendo mais ser a segunda pele.
Pele amando pele!


Pelo que sonho!
Pelo que quero.
Pelo que peço.
Para que todos sejam uma pele!

 Livro "INSURGÊNCIA POÉTICA"

Marcos Cesar Dutra.





"Lágrima de clorofila"

Não acredito que tudo esta acabado!
Pois quem mais amo esta me dizimando.
Nada posso fazer nada posso falar!
Vendo todo dia mais perto meu fim chegar!

Sou forte sou grande sou gigante, todos podem me ver!
Cravada no solo nem sei se vou sobreviver.
Estivemos em todos os lugares da terra.
No fio do aço e no mover da serra minha vida se encerra!

Dou-lhe o ar, tiro-lhe o calor.
Não tenho de ti uma migalha de amor!
Na imensidão devastada.

Resta-me somente uma lagrima derramada!
Um dia não mais estarei aqui.
Nem poderei por ti chorar!
Sabendo que lhe faltará a brisa a sombra.
E até mesmo o ar!

Um dia no chão eu cai, criei raízes e cresci!
Vim para o mundo para te servir confortar e alimentar.
Tu vieste aqui somente para me matar!

 Livro "INSURGÊNCIA POÉTICA"

Marcos Cesar Dutra.




"A Fera"

Quando te conheci eras bom.
Falavas em belo tom.
Hoje não és o que eras,
Tornastes uma grande Fera.

Fera letrada, Fera calada.
Atacas o pobre e o oprimido,
à ninguém dás ouvido.
Fera assentada, Fera calada.

Tudo o que fazes, dizes que é para o bem.
Trazendo para ti o que lhe convém.
A fera sorriu, a fera sumiu!
Voltou a ser bom e falar em belo tom.

Em tua grande altivez bradou:
Voltarei outra vez!
Perdoa-me Deus, esta Fera eu criei!
Nesta Fera eu votei.

Livro "INSURGÊNCIA POÉTICA"

Marcos Cesar Dutra. 




"Vida ingrata"

Condenada pela vida no suor doloroso.
Sem ter uma saída!
Fui moça, fui bonita!
Seguindo um caminho de torturas sem medida.

Conheci a fome, conheci a dor!
Sem ter o que fazer, tive algo pra vender.
Alimentando-me de prazer!
Enterrei o coração, vivendo a profissão!

Vendi os meus carinhos, vendi o meu amor!
Sofrendo as dores da vida! Esquecendo-me do pudor.
Por alguns grandemente amada.
Por aqueles que eu amava fui apedrejada!


Os filhos que criei muito me amavam!
Por culpa do pecado aos poucos me deixavam.
O tempo foi passando e sozinha fui ficando.
Sem saber o que fazer não tinha mais prazer!

Sina dolorosa, vida enganosa!
Hoje estou velha, sozinha e desabrigada.
Descobri que vida fácil.
Na verdade é vida ingrata!

Livro "INSURGÊNCIA POÉTICA"

Marcos Cesar Dutra.



"Gente"


No mundo da gente se gente.
Gente inocente, gente que mente.
Gente olhando pra gente!
Gente pra toda gente!

Gente doente lutando pra continuar sendo gente.
Gente matando gente.
Pensando que pode ser gente!
Gente roubando aquilo que é da gente.

Gente que se esquece de si, vivendo a vida da gente!
Gente correndo atrás de gente.
Gente procurando alguém que seja gente!
Gente tocando em gente.

Gente amando gente.
Gente amando gente que é da gente!
Gente que não se importa com a gente.
Gente deixando gente por gente!

Gente por todo lado!
Gente fazendo coisa de gente.
Gente nascendo...
Gente crescendo...

Gente amando...
Gente cantando...
Gente chorando...

Gente implorando...
Gente suplicando...
No meio de toda essa gente, falta uma coisa!
Mais gente ensinando a ser Gente!

Livro "INSURGÊNCIA POÉTICA"

Marcos Cesar Dutra.